Augusto Abelaira, além de escritor e jornalista, foi, também, professor e tradutor.
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quarta-feira, 30 de agosto de 2017
AUGUSTO ABELAIRA, TRADUTOR
Augusto Abelaira, além de escritor e jornalista, foi, também, professor e tradutor.
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Literatura
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
OBRAS DE AUGUSTO ABELAIRA
Desde SEM TECTO ENTRE RUÍNAS, que adquiri em 1979, comprei todas as primeiras edições dos subsequentes livros de Augusto Abelaira (com excepção de ANFITRIÃO OUTRA VEZ, de 1980).
Simultaneamente, fui comprando livros anteriores, em edições antigas ou que foram sendo reeditados.
Simultaneamente, fui comprando livros anteriores, em edições antigas ou que foram sendo reeditados.
Em 2014 tentei e atingi o objectivo de ter as primeiras edições de todas as obras de Augusto Abelaira, de 1959 a 2004 (com a ajuda de alguns alfarrabistas, entre os quais o Adelino Correia Pires).
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terça-feira, 30 de outubro de 2012
29 DE NOVEMBRO DE 2007
Entre 29 de novembro de 2007 e 9 de fevereiro de 2008, decorreu na Biblioteca Nacional de Portugal (na Sala de Referência) uma mostra documental, com o objetivo de dar a conhecer o espólio de Augusto Abelaira, que foi doado à BNP em 2004 pela filha do escritor, Ana Sílvia Abelaira.
A mostra incluiu fotografias, documentos e objetos pessoais, edições antigas dos seus livros, cartas, versões autógrafas e datiloscritas de vários livros (alguns inéditos), notícias e entrevistas em jornais.
A BNP publicou na altura um livro muito interessante com o catálogo da exposição:
Tive o enorme prazer de participar, no dia 29 de Novembro de 2007, na visita guiada (de forma apaixonada, por Manuela Vasconcelos) e na sessão (na Livraria BNP) que contou com intervenções de Eduarda Dionísio e Jorge Silva Melo.
Termino com a ligação para o texto que Eduarda Dionísio leu nessa tarde inolvidável.
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sexta-feira, 1 de abril de 2011
AUGUSTO ABELAIRA (1926-2003)

Como mencionei na mensagem de 29 de Outubro de 2009, comprei o meu primeiro livro de Augusto Abelaira - «Sem Tecto Entre Ruínas» - em Dezembro de 1979, na Livraria Portugal, na Rua do Carmo.
No dia 18 de Maio de 2004, em que estava anunciada a publicação póstuma da sua última obra - «Nem Só Mas Também» -, fui à FNAC do Chiado para a adquirir.
O livro não estava à venda, o funcionário desconhecia a respectiva edição.
De repente, tornou-se-me evidente: a Livraria Portugal, ali ao lado, tem o livro.
Saí da FNAC, desci a Rua do Carmo e comprei o último livro de Abelaira onde tinha comprado o primeiro, vendido muito provavelmente pelo mesmo empregado que me havia vendido o primeiro.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
AUGUSTO ABELAIRA (1926-2003)
A crónica de Augusto Abelaira no nº 1 do Jornal de Letras Artes e Ideias, de 3 de Março de 1981.
AO PÉ DAS LETRAS
O papel branco, afinal um tudo-nada pardacento
Ao pé da letra? Ao pé das letras? Pego na caneta, olho para o papel branco, afinal um tudo-nada pardacento... O objectivo mais ou menos vago é falar de literatura. Mas, depois de três anos de uma actividade jornalística semanal em que o prato de resistência foi quase sempre a política, os músculos da minha mão perderam o hábito da literatura. E, no entanto, nesse Fevereiro de 1978 que já vai distante, a minha intenção era não a política, talvez também não rigorosamente a literatura, mas um pouco de tudo: num jornal atento fundamentalmente à actualidade eu falaria de passarinhos, de flores, da Lua, de Fellini, de Wagner, de Cesário Verde. E um pouco, porque não?, de sociologia caseira. Por exemplo: a possível influência do cinema mais ou menos pornográfico na cama dos casais portugueses. Etc.
Mas há um certo mimetismo na escrita, como resistir ao ambiente? Em Roma é difícil ser florentino. O Jornal, onde eu escrevia, era essencialmente político, Lisboa também, o PS metia o socialismo na gaveta, Mota Pinto punha-o no caixote do lixo. Como resistir? E lá embarquei eu nas guerras dos partidos e perdi ou ganhei o meu tempo a fazer a análise estilítica dos discursos dos nossos estadistas. Até porque para falar de política basta ler os títulos dos jornais, mas para falar de passarinhos, de flores, da Lua, é preciso ter olhos na cara, tarefa bem mais difícil.
E outra coisa talvez: para um escritor de tradição francesa, intervir na política impõe-se inevitavelmente. O velho mito de que os intelectuais têm uma missão social a cumprir, são os modernos sacerdotes, o velho mito de que exercem influência , o velho mito de que a sociedade está à espera do que eles dizem. Ingenuidade. O escritor vai atrás das palavras sonantes, sacrifica o rigor a um bom dito de espírito, esquece as ideias, não se pode confiar nele.
E então, insensivelmente, um pouco sem querer, lancei ao papel as minhas conversas políticas de café. Por outras palavras: cheguei à conclusão de que as conversas de café poderiam ser investidas no papel de uma forma mais rendosa, a tantos escudos por página. O comércio, em suma. A civilização capitalista. A POLÍTICA.
Somente: escrever sobre política cria hábitos nos músculos da mão, hábitos tão difíceis de combater que custosamente poderei libertar-me deles, como se demonstra pelo retrato presente.
E não sei. Os nomes que da minha caneta desejam sair não são os de Tolstoi ou de Mozart, mas Balsemão, Soares e Cunhal - respeito as hierarquias, como se vê. E então: como bloquear esses hábitos? Como ensinar de novo aos músculos da mão, à própria caneta, que nem só de Balsemão, de Soares ou de Cunhal vive o homem, mas também de Tolstoi e de Mozart? Também das flores e dos passarinhos?
De modo que, deixem-me ensaiar: «Tolstoi, o autor de Guerra e Paz, nascido em mil oitocentos e tal...» Ou: «Mozart, que nasceu em Salzburgo e compôs a Música Maçónica e a Flauta Mágica...»
Não é fácil, distraio-me e continuo: «...se tivessem vivido o suficiente para votar nas últimas eleições...» O cronista político que continua em mim prossegue: teriam votado em...» Hesito, lembro-me do bispo do Funchal que nos proibiu (sem grande êxito, aliás) de votar em candidatos apoiados por maçónicos. Sim, em quem votaria Mozart, que era maçónico? Preciso de o saber para não votar como ele. Quanto ao Tolstoi, nunca esquecerei a infeliz experiência maçónica de Pedro, é pois possível que ele seguisse o conselho do bispo do Funchal. Mas também me lembro do seu enternecimento pelo Platão Karateiev, custa-me a crer que seguisse o conselho do citado bispo.
Bem, começo a educar os músculos da mão, começo a extrair da caneta certos nomes já quase esquecidos. Recomeço, pois, sem quaisquer interferências políticas: «Dostoievski, cujo centenário este ano se comemora...» Mas poder-se-á falar de Dostoievski sem falar de política?
Olho apreensivo para o papel branco, afinal um tudo-nada pardacento da minha próxima crónica.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
AUGUSTO ABELAIRA (1926-2003)
José Gomes Ferreira, Abelaira e Carlos de Oliveira (circa 1968)
Entre a descoberta de Abelaira escritor (final de 1979) e Abelaira cronista (Verão de 1980), descobri Carlos de Oliveira, através da leitura, na disciplina de Português, no 9.º ano, do livro "Uma Abelha na Chuva".
Transcrevo a crónica Escrever na Água, de Augusto Abelaira, publicada no semanário O Jornal, em 3 de Julho de 1981, 2 dias após a morte de Carlos de Oliveira (1921-1981).
ESCREVER NA ÁGUA
Carlos
Não me importa agora que Carlos de Oliveira fosse o autor de algumas das mais belas poesias da língua portuguesa. Nem que tivesse escrito o mais misterioso e envolvente dos nossos romances. E isto nunca lho disse. Um pudor absurdo? Cheguei a afirmar publicamente (mas a ele, nunca) que considerava Finisterra (ou, melhor, Finisterra: paisagem e povoamento, ele irritava-se que lhe cortassem o título) o melhor romance português dos últimos 30 anos. Mas não era verdade - e só o tal pudor impediu que dissesse: de toda a literatura portuguesa (e não esquecendo Os Maias). Coisa que percebi imediatamente após a leitura da prova amorosamente dactilografada pela Ângela em papel azulado. Porque não lho disse se o sentia? Que pudor é este? Talvez não somente pudor, o receio da ironia dele: Você é uma pessoa muito amável e não acreditaria, pensaria que eu estava a lisongeá-lo. E eu não queria que ele pudesse pensar isso de mim. Para ele era mais verosímil uma admiração modesta, ele não tinha verdadeira consciência do livro que escrevera. Rendi-me à falsa verosimilhança.
Mas não importa isso agora, repito, porque mais importante me parece o amigo. E recordo-me de que, com a minha estúpida mania de brincar com coisas sérias, declarei recentemente a um jornal: Não tenho amigos. A hipócrita tentativa de ouvir alguém protestar, de ouvir o próprio Carlos de Oliveira? E estou a ver o rosto magoado, profundamente magoado, dele, quando no dia seguinte o encontrei. Você não será amigo de ninguém, é lá consigo, mas há pessoas que são suas amigas e você não tem o direito de falar como falou. Desejei meter-me pelo chão abaixo, o Carlos de Oliveira era um pouco a voz da consciência, uma consciência que se amava e que se temia. Um desses amigos capazes de sofrer pelos outros. Com os outros.
Mas agora? Carlos de Oliveira era uma das três pessoas com quem eu me habituara a conversar na própria ausência delas. O interlocutor de certos momentos quando eu estava sozinho. Quando escrevia um livro (que pensará o Carlos de Oliveira?). Quando via um bom filme (ele que não ia ao cinema). Quando lia um bom livro. Até quando amava. Sim, que pensará o Carlos de Oliveira? E apesar de vê-lo todos os dias conversava mais com ele quando não estava com ele.
Com quem vou agora conversar quando estiver sozinho, agora que das três pessoas com quem conversava em silêncio já outra morreu alguns tempos antes? E penso nas tantas coisas que lhe disse em silêncio, mas que não me atrevi a dizer-lhe na realidade.
Uma porção de coisas que andavam a afogar-se e que só a ele poderia confessar.
Recentemente fizemos uma aposta. A esquerda ganharia ou não em França? Céptico, eu dissera que não. Ele, que sim. Perdi a aposta que era um jantar. E íamos jantar num dia destes - ainda na terça-feira falámos nisso. Eu decidira ter a tal conversa, pôr em dia as muitas conversas que com ele tivera não tendo. A fascinação de pôr a alma a nu - a certeza de que só ele me saberia ouvir com esse misto de ternura e de ironia que tanto o caracterizava, a sua generosidade sem mácula, a sua prodigiosa capacidade de compreender sentindo-me se aproximar discretamente de nós. O seu conselho. A sua amizade.
Mas agora não é mais possível (continuarei decerto a falar com ele, mas na ausência definitiva). E como se fala com um amigo que se sabe que já morreu, como será possível manter esse teatro?
Quanto os livros... Que importa um livro, mesmo um grande livro, comparado com um amigo generoso?
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
AUGUSTO ABELAIRA (1926-2003)
(Recordo-me agora que, além da entrevista televisiva então referida, também terei ouvido, pela mesma altura, uma entrevista radiofónica de que me ficou o discurso céptico acerca do casamento.)
Porém, só no Verão de 1980 (nas férias grandes) descobri o cronista, através das famosas crónicas sob o título Escrever na Água, publicadas no semanário O Jornal, entre 17 de Fevereiro de 1978 e 27 de Novembro de 1992.
Tratava-se de crónicas essencialmente de comentário político, carregadas de argúcia, humor e ironia.
Mais tarde, entre 3 de Março de 1981 e 17 de Julho de 1996, publicou no Jornal de Letras, Artes e Ideias a crónica Ao Pé das Letras, com um cunho mais cultural e literário.
Mais tarde, entre 3 de Março de 1981 e 17 de Julho de 1996, publicou no Jornal de Letras, Artes e Ideias a crónica Ao Pé das Letras, com um cunho mais cultural e literário.
Já anteriormente, ainda antes do 25 de Abril, a partir de Janeiro de 1974, no jornal O Século, assinara diariamente, na primeira página, uma crónica, Entrelinhas (nome especialmente apropriado numa época de censura prévia).
Nas próximas duas mensagens publicarei a crónica Escrever na Água alusiva à morte de Carlos de Oliveira e a primeira crónica Ao Pé das Letras.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
AUGUSTO ABELAIRA (1926-2003)
Augusto Abelaira é o escritor da minha vida. Ele escrevia (escreveu) para mim. Eu não sou certamente o leitor imaginário de quem ele tanto falava. Mas ele é o meu escritor imaginário.
O meu primeiro contacto com Augusto Abelaira, tinha eu 15 anos, foi quando o vi na televisão (ainda a preto e branco) a ser entrevistado. Não me recordo de nada em concreto. Terá sido, provavelmente, uma entrevista a propósito da publicação de "Sem Tecto entre Ruínas" e da atribuição, a esse livro, do Prémio Cidade de Lisboa. Algo me prendeu: a voz de falsete, a cabeleira branca, o brilhantismo do discurso.
Na próxima ida a Lisboa, nas férias de Natal de 1979, ao passar pela Livraria Portugal, na Rua do Carmo, deparei com "Sem Tecto entre Ruínas". Peguei no livro e li, na contracapa:
"Havia ali jornais expostos numa banca e então li, já não me recordo das palavras exactas: «O presidente do Conselho português, doutor Oliveira Salazar, gravemente doente.»Durante anos procurei imaginar este dia, adivinhar todas as reacções, as minhas e as dos outros, mas a notícia agora não me causava nem sombra de emoção. Sim, toda a minha vida sonhara com aquele momento, mas hoje... Como o brinquedo, depois de ganho perde o interesse.
Li a notícia, quase indiferente, emocionado apenas por não sentir emoção.
Ou isto: com o desaparecimento de Salazar era uma época da minha vida que morria. Compreendes? Afinal o Salazar fizera parte da minha vida, da infância, da adolescência, da minha maturidade... Um ponto de referência permanente, já um pouco de mim, algo que nunca poderia ser dissociado, quem sabe?, dos mais belos anos da minha vida!
O tempo perdido, o que não volta! Era eu, o tempo do entusiasmo, do MUD Juvenil. Dolorosamente, mas vivo."
Fiquei fascinado pelo fraseado, aqui e ali de sabor pessoano (embora eu ainda não conhecesse Fernando Pessoa), e pela perspectivação múltipla das coisas (presente em toda a sua obra e até nalguns dos respectivos títulos: "Deste Modo ou Daquele", "Nem Só Mas Também").
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