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domingo, 13 de maio de 2018

NO CAFÉ


A: O que seria da memória sem imaginação? E da imaginação sem memória?

B: Não seriam.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

NO CAFÉ


A: Durante muito tempo pensei: o que distingue o sonho da realidade é a inverosimilhança, a incoerência, a ilogicidade de alguns sonhos.

B:

A: Mais tarde, descobri que a realidade nem sempre é verosímil, coerente, lógica.

B: Concluíste que não há diferença...

A: Não. A diferença é que do sonho acordamos e da realidade não.

B: Tens a certeza de que não acordamos?

segunda-feira, 17 de julho de 2017

NO CAFÉ


A: Por que razão, muitas vezes, a propósito de um livro ou de um filme, se ouve, em tom elogioso, que se baseia em factos reais?

B: Será porque desejamos ficções realistas ou porque ambicionamos ficção nas nossas vidas?

domingo, 30 de abril de 2017

NO CAFÉ


B: Dantes pensava em guardar certos livros para ler quando fosse velho, para dourar a reforma.
A: Tinhas medo que os livros acabassem?
B: Não, mas preocupava-me com a qualidade da leitura futura.
A: E já não te procupas?
B: Preocupo, mas mudei a estratégia: agora procuro ler e descobrir livros que mereçam voltar a ser lidos.
A: Ler os mesmos livros?
B: Não: os bons livros mudam com o tempo, nunca são os mesmos. Mudam connosco.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

NO CAFÉ


A: Vive cada dia como se fosse o último!

B: Não. Vive cada dia como se fosse o primeiro. (Até porque o último pode não ser particularmente agradável).

sábado, 30 de junho de 2012

NO CAFÉ

A: Qual o teu livro preferido?
B: "Memórias de Um Átomo".

terça-feira, 1 de maio de 2012

NO CAFÉ

A: O ótimo é inimigo do bom.
B: E não terá razões para isso?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

NO CAFÉ

B:
A vida é (também) uma lição. Aprendi há pouco tempo duas máximas que, a par de outras, procuro norteiem a minha vida.
A:
Quais?
B:
A primeira é aceitar tudo o que não esteja ao meu alcance evitar ou mudar. Aceitar, não me revoltar, não ficar frustrado. Aceitar não significa não sofrer. Perante uma morte, eu aceito e sofro. Mas sofro não por querer que fosse diferente mas por não poder ser diferente.
A:
A não menor dificuldade será determinar o que está ou não ao teu alcance. E a segunda máxima?
B:
Last but not the least, é... agora não consigo lembrar-me. Deixa-me pensar... sabes, ocorre-me muitas vezes esquecer-me do que ia dizer. É extraordinário: como é possível dizer que descobri duas novas máximas importantíssimas para a minha vida e depois esquecer-me! Eu tenho aqui escrito no telemóvel, mas quero recordar-me. Anoto sempre no telemóvel ou num bloco aquilo que antecipo vir a querer recordar-me. A segunda máxima é (escrevi no telemóvel): «não querer que gostem de mim». Isto é: gosto que gostem de mim, mas não devo fazer nada motivado por esse desejo. Fiz algumas asneiras na vida por isso.

sábado, 31 de dezembro de 2011

NO CAFÉ

B: Nunca me senti tão bem.
A: E nunca estiveste tão perto da morte.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

NO CAFÉ

B: Recorrentemente sinto a minha vida como um livro: de que não conheço o final, a extensão, a evolução das personagens, das situações, das acções e da própria localização espacial.
Um livro que, a cada nova leitura das páginas já escritas, se revela diferente.
A: E como te sentes relativamente ao livro? Como simples personagem? Ou como, também, narrador? Ou, ainda, como, também, autor?
B: Sinto-me como personagem e leitor.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

NO CAFÉ

A:
Só há duas maneiras de reduzir o défice orçamental (em percentagem do PIB): ou aumentar a receita ou diminuir a despesa.
B:
Há uma terceira.
A:
Sim: aumentar a receita e diminuir a despesa.
B:
Há uma quarta.
A:
Qual?
B:
Aumentar o PIB.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

NO CAFÉ

A: Perante um problema, começas sempre por tentar matar o problema, em vez de o procurares resolver.

B: Eu não tento matar o problema. Pretendo verificar se ele existe: se nasceu e ainda não morreu.

A: Esse é outra das tuas idiossincrasias: quando não consegues matar os problemas, achas que o tempo os resolve.

sexta-feira, 5 de março de 2010

NO CAFÉ

B:
Na adolescência, quando comecei a estudar História Universal, equiparava as várias épocas históricas às fases da vida humana individualmente considerada.
Tal como na vida humana, na História houve períodos em que o Homem não falava ou não escrevia.
Tal como na História, o homem atravessa uma fase em que elabora construções mitológicas.
Etc.

A:
Neste momento da tua vida, qual a fase histórica correspondente?
E a Historia, tal como a vida humana, tem uma morte?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

NO CAFÉ

A: Não acredito no destino.

B: Eu, acredito.

A: O futuro não está pré-determinado.

B: Está, embora para nós seja indeterminável. Só nos apercebemos dele (do destino) ao olharmos para o passado e concluirmos que o passado não poderia ter sido diferente do que foi.

A: Mas o passado poderia ter sido diferente, se ...

B: Se?

A: Se eu em vez de X tivesse optado por Y.

B: E por que razão optaste por X e não por Y?

A: Porque sou livre, porque quis.

B: E por que quiseste?