quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

CIÊNCIA, NORMATIVIDADE E ARTE

Perante a realidade, podemos ter três tipos de discurso: científico, normativo ou artístico.
O primeiro é da ordem do ser: "A Terra atrai os corpos";
O segundo, da ordem do dever-ser: "Os contratos devem ser cumpridos";
O terceiro, da ordem do meta-ser: "O mito é o nada que é tudo".
Estes tipos de discurso não estão divididos de forma estanque, interpenetram-se, sendo possível (e cada vez mais frequente) encontrar, num mesmo discurso, aquelas várias dimensões.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DILEMA LÓGICO (continuação)

A solução:
pergunta-se a qualquer das pessoas "Qual a porta que a outra pessoa indicaria se lhe perguntasse qual a porta que conduz à liberdade?" e sai-se pela outra porta,
ou
pergunta-se a qualquer das pessoas "Qual a porta que a outra pessoa indicaria se lhe perguntasse qual a porta que conduz à morte?" e sai-se por essa porta.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

DILEMA LÓGICO

Veio-me à memória um dilema referido por Eduardo Prado Coelho (1944-2007), não me lembro a propósito de quê, numa das suas excelentes crónicas, publicadas sob o título "O Fio do Horizonte", no "PÚBLICO".
Alguém encontra-se fechado numa sala e tem de decidir por qual das duas portas existentes sair.
Uma das portas conduz à liberdade, a outra à morte.
Do lado de fora da sala estão duas pessoas - uma fala sempre verdade, a outra mentira.
Não se sabe qual fala sempre verdade nem qual fala sempre mentira.
Apenas se pode fazer uma pergunta e a uma só das pessoas.
Que pergunta fazer para descobrir qual a porta que conduz à liberdade?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ENNIO MORRICONE

No passado dia 10 completou 81 anos o extraordinário compositor Ennio Morricone. Conheci-o através de três das famosas bandas sonoras que compôs para inúmeros filmes. Refiro-me à música dos filmes "Era uma vez na América" (1984), "A Missão" (1986) e "Cinema Paraíso" (1988).











http://www.enniomorricone.com/

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

APRENDER E ENSINAR

Tudo se aprende, nada se ensina.
E ensinar é uma das melhores formas de aprender.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CULPA E ÊXITO





Excerto da entrevista do psicanalista António Coimbra de Matos à "VISÃO" de 15 de Outubro:



"Os problemas mentais, hoje, são diferentes dos que se diagnosticavam antigamente?

Quando comecei, tratava-se mais as neuroses. Agora, são as depressões e psicoses. Antes, predominava a patologia da culpa; hoje, são punidos aqueles que não têm sucesso. Passou-se da sociedade da culpa para a do êxito, que promove o traço depressivo."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

AUGUSTO ABELAIRA (1926-2003)


Abelaira por Vasco



Augusto Abelaira é o escritor da minha vida. Ele escrevia (escreveu) para mim. Eu não sou certamente o leitor imaginário de quem ele tanto falava. Mas ele é o meu escritor imaginário.

O meu primeiro contacto com Augusto Abelaira, tinha eu 15 anos, foi quando o vi na televisão (ainda a preto e branco) a ser entrevistado. Não me recordo de nada em concreto. Terá sido, provavelmente, uma entrevista a propósito da publicação de "Sem Tecto entre Ruínas" e da atribuição, a esse livro, do Prémio Cidade de Lisboa. Algo me prendeu: a voz de falsete, a cabeleira branca, o brilhantismo do discurso.

Na próxima ida a Lisboa, nas férias de Natal de 1979, ao passar pela Livraria Portugal, na Rua do Carmo, deparei com "Sem Tecto entre Ruínas". Peguei no livro e li, na contracapa:

"Havia ali jornais expostos numa banca e então li, já não me recordo das palavras exactas: «O presidente do Conselho português, doutor Oliveira Salazar, gravemente doente.»Durante anos procurei imaginar este dia, adivinhar todas as reacções, as minhas e as dos outros, mas a notícia agora não me causava nem sombra de emoção. Sim, toda a minha vida sonhara com aquele momento, mas hoje... Como o brinquedo, depois de ganho perde o interesse.
Li a notícia, quase indiferente, emocionado apenas por não sentir emoção.
Ou isto: com o desaparecimento de Salazar era uma época da minha vida que morria. Compreendes? Afinal o Salazar fizera parte da minha vida, da infância, da adolescência, da minha maturidade... Um ponto de referência permanente, já um pouco de mim, algo que nunca poderia ser dissociado, quem sabe?, dos mais belos anos da minha vida!
O tempo perdido, o que não volta! Era eu, o tempo do entusiasmo, do MUD Juvenil. Dolorosamente, mas vivo."

Fiquei fascinado pelo fraseado, aqui e ali de sabor pessoano (embora eu ainda não conhecesse Fernando Pessoa), e pela perspectivação múltipla das coisas (presente em toda a sua obra e até nalguns dos respectivos títulos: "Deste Modo ou Daquele", "Nem Só Mas Também").







http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/augustoabelaira.html