sábado, 19 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)


Em 1983, estudante do 12º ano, comprei a 2ª edição do "Memorial do Convento" (hoje obra de leitura no 12º ano...)





O autógrafo de José Saramago, na apresentação do livro "As Intermitências da Morte", no Teatro São Carlos, em 11 de Novembro de 2005.



O endereço - http://www.youtube.com/watch?v=ITNBVO4Dg24 - onde pode ser visto o filme, realizado por Isabel Coutinho, da exposição visitada, em 27 de Julho de 2008, no Palácio da Ajuda.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A MORTE DE IVAN ILITCH

«XII

A partir desse momento começou aquele período de três dias de gritos ininterruptos, tão horrível que mesmo através de duas portas fechadas era impossível ouvir sem pavor. No momento em que respondeu à mulher, compreendeu que estava perdido, que não havia regresso, que chegara o fim, o fim total, e a dúvida ainda por resolver permaneceria dúvida.
- Eh! Eh! Eh! - gritava ele em diferentes tons. Tinha começado por gritar: «Não quero!», e assim continuou a gritar no mesmo som da letra «e».
Durante aqueles três dias, em que o tempo não existia para ele, debateu-se naquele saco negro para o qual o empurrava uma força invisível, irresistível. Debateu-se como se debate um condenado à morte nas mãos do carrasco, sabendo que não se pode salvar; e em cada momento sentia que apesar de todos os esforços de luta estava cada vez mais perto daquilo que o horrorizava. Sentia que o seu sofrimento era também por estar a ser enfiado naquele buraco negro e ainda mais pelo facto de não conseguir entrar nele. Era impedido de penetrar pela consciência de que a sua vida tinha sido boa. Era essa justificação da sua vida que o prendia e o impedia de avançar e que o atormentava mais do que tudo.
De súbito uma força desconhecida atingiu-o no peito e no flanco, oprimindo-lhe ainda mais a respiração, caiu no buraco e ali, no fundo do buraco, qualquer coisa começou a brilhar. Aconteceu-lhe aquilo que lhe costumava acontecer na carruagem do comboio, quando pensava que seguia para a frente e ia para trás, e de repente descobria a verdadeira direcção.
- Sim, nada foi como devia ser - disse a si mesmo. - Mas não importa. É possível, «isso» pode fazer-se. Mas «isso» é o quê? - perguntou a si mesmo e de repente sossegou.
Isto foi no final do terceiro dia, uma hora antes da sua morte. Nesse mesmo momento o aluno do liceu entrou de mansinho no quarto do pai e aproximou-se da cama. O moribundo continuava a gritar desesperadamente e agitava os braços. A sua mão caiu na cabeça do rapaz, que a agarrou, a levou aos lábios e começou a chorar.
Nesse preciso momento Ivan Ilitch afundou-se, viu a luz e revelou-se-lhe que a sua vida não tinha sido o que devia ser, mas que isso ainda podia ser remediado. Perguntou a si mesmo: o que é então «isso», e ficou quieto, à escuta. E então sentiu que alguém lhe beijava a mão. Abriu os olhos e olhou para o filho. Sentiu pena dele. A mulher aproximou-se. Ele olhou-a. Ela olhava para ele com a boca aberta e lágrimas no nariz e na face, olhava-o com uma expressão de desespero. Sentiu pena dela.
«Sim, eu faço-os sofrer», pensou. «Têm pena, mas será melhor para eles quando eu morrer.» Queria dizer isto, mas não tinha forças para falar. «De resto, para quê falar, é preciso fazer», pensou. Com o olhar indicou à mulher o filho, e disse:
-Leva-o daqui... faz-lhe pena... e a ti... - Queria ainda dizer «perdão» mas disse «permissão» e, já incapaz de se corrigir, agitou a mão sabendo que seria entendido por aquele que o devia entender.
E de súbito tornou-se-lhe claro que aquilo que o afligia e não o largava lhe saía de repente tudo de uma vez, e por dois lados, por dez lados, por todos os lados. Tinha pena deles, era preciso agir de modo que não sofressem. Livrá-los a eles e a si mesmo daqueles sofrimentos. «Que bom e que simples», pensou. «E a dor?», perguntou a si mesmo. «Que é dela? Então, dor, onde está tu?»
Ficou atento.
«Sim, cá está ela. Pois bem, deixá-la doer.»
«E a morte? Onde está ela?»
Procurava o seu habitual medo, o anterior medo da morte e não o encontrava. Onde está ela? Qual morte? Não tinha medo nenhum, porque também não havia morte.
Em lugar da morte havia uma luz.
- É então isto! - disse ele de súbito em voz alta. - Que alegria!
Para ele tudo aquilo aconteceu num único instante e o significado desse instante já não mudou. Mas para aqueles que estavam presentes a agonia dele prolongou-se ainda por duas horas. Qualquer coisa fervilhava no peito dele; o seu corpo extenuado estremeceu. Depois o fervilhar e os estertores tornaram-se menos frequentes.
- Acabou-se! - disse alguém por cima dele.
Ele ouviu estas palavras e repetiu-as na sua alma. «Acabou-se a morte», disse a si mesmo. «Já não existe.»
Inspirou o ar, parou a meio de um suspiro, esticou-se e morreu.»

Lev Tolstoi, A Morte de Ivan Iltch, Leya (BIS), 2008

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A MORTE DE IVAN ILITCH

«XI

Assim se passaram outras duas semanas. Nessas semanas deu-se um acontecimento desejado por Ivan Ilitch e pela sua mulher: Petrichev fez o pedido formal de casamento. Aconteceu à tarde. No dia seguinte Praskóvia Fiódorovna entrou no quarto do marido pensando em como informá-lo do pedido de Fiódor Petróvitch, mas nessa mesma noite deu-se uma mudança para pior no estado de Ivan Ilitch. Praskóvia Fiódorovna encontrou-o naquele mesmo sofá, mas numa posição diferente. Estava deitado de costas, gemia e olhava fixamente à sua frente.
Ela começou a falar dos medicamentos, mas ele olhou-a de tal modo que ela não acabou de dizer aquilo que tinha começado: tal era a raiva contra ela que se exprimia naquele olhar.
- Por amor de Deus, deixa-me morrer em paz - disse ele.
Ela quis sair, mas nesse instante a filha entrou e aproximou-se para dar os bons-dias. Ele olhou a filha do mesmo modo que olhara a mulher e à pergunta dela sobre a sua saúde disse-lhe secamente que em breve os deixaria a todos livres. Ambas se calaram, ficaram sentadas uns momentos e depois saíram.
- Que culpa temos nós? - disse Liza à mãe. - Até parece que fomos nós que fizemos aquilo! Tenho pena do papá, mas para quê atormentar-nos?
O médico chegou à hora habitual. Ivan Ilitch respondia-lhe: «sim, não», sem desviar dele o olhar furioso, e no fim disse:
- O senhor sabe que não me pode ajudar, por isso deixe-me em paz.
- Podemos aliviar o sofrimento - disse o médico.
- Nem isso pode fazer; deixe-me.
O médico saiu para a sala de estar e informou Praskóvia Fiódorovna de que a situação era muito grave e que o único meio para aliviar os sofrimentos, que deviam ser horríveis, era o ópio.
O médico disse que os sofrimentos físicos dele eram horríveis, e isso era verdade; mas mais horríveis que os sofrimentos físicos eram os sofrimentos morais, que eram o seu principal tormento.
Os seus sofrimentos morais consistiam em que naquela noite, ao olhar o rosto ensonado, bondoso e de maçãs salientes de Guerássim, lhe ocorreu de súbito: e se toda a minha vida estivesse errada?
Ocorreu-lhe que aquilo que antes lhe parecia completamente impossível, que não tivesse vivido a sua vida como devia ser, que isso pudesse ser verdade. Ocorreu-lhe que aquelas suas quase imperceptíveis veleidades de luta contra aquilo que as pessoas altamente colocadas consideravam bom, essas quase imperceptíveis veleidades que ele prontamente rejeitava - que elas pudessem ser verdadeiras e tudo o resto falso. E as suas funções oficiais, e o seu regime de vida, e aqueles interesses sociais e oficiais - tudo isso pudesse estar errado. E de repente sentiu toda a fraqueza daquilo que defendia. E não havia nada que defender.
«Mas se é assim», disse para si mesmo, «e eu estou a deixar a vida com a consciência de ter perdido tudo aquilo que me foi dado e que é impossível corrigir, como será?» Deitou-se de costas e pôs-se a rememorar toda a sua vida de modo inteiramente novo. Quando de manhã viu o criado e depois a mulher, depois a filha, depois o médico - cada um dos movimentos deles, cada palavra, confirmava para ele a horrível verdade que se lhe revelara durante a noite. Neles via-se a si próprio, tudo aquilo para que tinha vivido e via claramente que tudo aquilo estava mal, tudo aquilo era um horrível e enorme engano que ocultava a vida e a morte. Essa consciência aumentou, decuplicou os seus sofrimentos físicos. Gemia e agitava-se e puxava a roupa. Parecia-lhe que esta o apertava e o asfixiava. E odiava-os por causa disso.
Deram-lhe uma grande dose de ópio e ele ficou inconsciente; mas à hora do almoço tudo começou de novo. Mandava toda a gente embora e agitava-se de um lado para o outro.
A mulher aproximou-se e disse:
- Jean, meu querido, faz isto por mim (por mim?). Mal não pode fazer, e muitas vezes ajuda. Ora, isto não é nada. Até as pessoas com saúde muitas vezes...
Ele abriu muito os olhos.
- O quê? Comungar? Para quê? Não é preciso. E daí...
Ela começou a chorar.
- Sim, meu amigo? Eu chamo o nosso padre, ele é tão amável...
- Óptimo, muito bem - disse ele.
Quando o sacerdote chegou e o ouviu em confissão, ele acalmou-se, sentiu como que um alívio das suas dúvidas e em consequência disso dos sofrimentos, e teve um momento de esperança. De novo começou a pensar no apêndice e na possibilidade de cura.Comungou com lágrimas nos olhos.
Quando depois da comunhão o deitaram, sentiu-se aliviado por momentos e de novo surgiu uma esperança de vida. Começou a pensar na operação que lhe tinha sido sugerida. «Viver, quero viver», disse para si mesmo. A mulher veio felicitá-lo; disse-lhe as palavras habituais e acrescentou:
- Sentes-te melhor, não é verdade?
Sem olhar para ela, ele disse: sim.
As roupas dela, a compleição dela, a expressão do rosto, o som da voz - tudo lhe dizia a ele a mesma coisa: «Não é o que devia ser. Tudo aquilo por que tu viveste e vives, é tudo mentira, engano, que esconde de ti a vida e a morte.»E assim que pensou isto o seu ódio cresceu, e juntamente com o ódio os cruéis sofrimentos físicos e com os sofrimentos a consciência do fim inevitável e próximo. Havia qualquer coisa nova: uma sensação de aperto, pontadas de sufocação.
A expressão do seu rosto quando disse «sim» era horrível. Depois de proferir esse «sim», olhando-a a direito no rosto, voltou-se de bruços com uma rapidez invulgar para o seu estado de fraqueza, e gritou:
- Vão-se embora, vão-se, deixem-me em paz!»

Lev Tolstoi, A Morte de Ivan Iltich, Leya (BIS), 2008

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O MUNDO MUDOU

Hoje, de acordo com o prometido, publicaria o penúltimo capítulo de "A Morte de Ivan Ilitch".

Porém, o mundo mudou nos últimos 15 dias.


sexta-feira, 30 de abril de 2010

A MORTE DE IVAN ILITCH

«X

Passaram-se mais duas semanas. Ivan Ilitch já não se levantava do sofá. Não queria estar deitado na cama e ficava no sofá. E quase sempre deitado com a cara voltada para a parede, sofria em solidão sempre os mesmos padecimentos insolúveis e sozinho pensava o mesmo pensamento insolúvel. O que é isto? Será na verdadade a morte? E a voz interior respondia: sim, é verdade. Porquê estes sofrimentos? E a voz respondia: por nada, é assim. E para além disto não havia mais nada.
Desde o início da doença, desde que Ivan Ilitch consultara pela primeira vez o médico, a sua vida dividia-se em dois estados de espírito opostos, que alternavam: ou o desespero e a espera da morte incompreensível e horrenda, ou a esperança e uma observação interessada do funcionamento do seu corpo. Ora tinha diante dos olhos um rim ou o apêndice que temporariamente se recusava a cumprir as suas obrigações, ora a morte incompreensível e horrenda, à qual não havia maneira de escapar.
Estes dois estados de espírito sucediam-se um ao outro desde o início da doença; mas quanto mais a doença avançava mais duvidosas e fantásticas se tornavam as considerações sobre o rim e mais real a consciência da morte que se aproximava.
Bastava-lhe recordar aquilo que fora três meses antes e o que era agora; recordar com que regularidade descera a montanha, para que se desfizesse qualquer possibilidade de esperança.
Nos últimos tempos a solidão em que se encontrava deitado com o rosto para as costas do sofá, essa solidão no meio de uma cidade populosa e dos seus numerosos conhecidos e da família - uma solidão que não podia haver maior em parte alguma: nem no fundo do mar nem em terra -, nos últimos tempos dessa horrrível solidão vivia apenas com a imaginação no passado. Os quadros do seu passado surgiam-lhe um após o outro. Começava sempre por aquilo que era mais próximo no tempo, descia à infância e aí parava. Se Ivan Ilitch se lembrava das ameixas secas cozidas que lhe tinham servido naquele dia, recordava as ameixas francesas húmidas e rugosas da infância, o seu sabor especial e a abundante saliva quando chegava aos caroços, e a par dessa recordação do sabor toda uma série de recordações desse tempo: a ama, o irmão, os brinquedos. «Não devo pensar nisso... é demasiado doloroso», dizia a si mesmo e voltava para o presente. Um botão nas costas do sofá e as rugas do marroquim. «O marroquim é caro, mas pouco resistente; a querela foi por causa dele. Mas era outro marroquim, e outra disputa, quando rasgámos a pasta do pai e fomos castigados e a mamã nos levou pastéis.» E de novo parava na infância, e de novo era doloroso e Ivan Ilitch procurava expulsar esses pensamentos e pensar noutra coisa.
E de novo, junto com essa torrente de recordações, outra torrente de recordações passava na sua mente - sobre como a sua doença se agravava e aumentava. Também aqui, quanto mais ele recuava mais vida havia. Havia mais coisas boas na vida e a própria vida era mais. Uma e outra coisa fundiam-se. «Tal como os tormentos vão sendo cada vez piores, também toda a minha vida ia sendo cada vez pior», pensava. Um ponto luminoso lá atrás, no princípio da vida, e depois tudo é cada vez mais negro e passa cada vez mais depressa. «Na razão proporcionalmente inversa à distância da morte», pensou Ivan Ilitch. E aquela imagem da pedra que caía com crescente velocidade gravou-se-lhe na alma. A vida, uma fila de sofrimentos cada vez maiores, voa cada vez mais depressa para o fim, para o mais horrível sofrimento. «Estou a voar...» Estremeceu, agitou-se, quis resistir; mas já sabia que era impossível resistir e de novo, com os olhos cansados de olhar mas incapazes de não olhar para aquilo que estava à sua frente, ficou a olhar para as costas do sofá e esperou - esperou essa horrível queda, o choque e a destruição. «É impossível resistir», dizia a si mesmo. «Mas se pudesse ao menos compreender para quê isto? Mas também isso é impossível. Seria possível explicar se pudesse dizer que não vivi como devia. Mas isso é impossível aceitar», dizia a si mesmo, recordando toda a legalidade, toda a correcção e a decência da sua vida. «Isso é impossível de admitir», dizia a si mesmo rindo-se com os lábios, como se alguém pudesse ver aquele seu sorriso e ser enganado por ele. «Não há explicação! Sofrimento, morte... Porquê?»

Lev Tolstoi, A Morte de Ivan Ilitch, Leya (BIS), 2008

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A MORTE DE IVAN ILITCH

No início de 2009, numa livraria, deparei-me com o livro "A Morte de Ivan Ilitch", de Lev Tolstoi, que, na capa, aludia ao "prefácio de António lobo Antunes".
Li o prefácio, com menos de uma página:

"Este livro tão breve, uma das maiores obras-primas do espírito humano, tem sido, desde a sua publicação, um motivo de controvérsia para a crítica: trata-se de uma obra sobre a morte ou de uma obra que nega a morte? (...) a morte de Ivan Ilitch é ambas as coisas e transcende tudo isso, para se tornar o retrato implacável da nossa condição: não há sentimento que nele não figure, não há emoção que não esteja presente. Tudo o que somos se acha em poucas páginas, escrito de uma forma magistral. Li-as, maravilhado, umas vinte ou trinta vezes, continuarei a lê-las, maravilhado, até ao fim dos meus dias. Maravilhado, exaltado, comovido, a perguntar-me como é que ele conseguiu. E conseguiu."

Comprei imediatamente o livro.

Porém, por razões diversas, não o li logo.

No dia 30 de Junho de 2009 assisti, na Faculdade de Letras de Lisboa, à sessão de encerramento da jornada comemorativa dos 30 anos da publicação de "Memória de Elefante", de António Lobo Antunes.

Essa secção consistiu num diálogo de António Lobo Antunes com Eduardo Lourenço e com o público.

Nessa ocasião, Eduardo Lourenço referiu que não se é o mesmo depois de ler "A Morte de Ivan Ilitch".

Comecei a lê-lo no dia seguinte.

Já tinha lido grandes livros, já tinha lido livros que "foram escritos para mim", mas pela primeira vez senti que estava a ler um livro "sobre mim", "sobre nós".

Pormenor curioso: acabei de lê-lo com a idade com que Ivan Ilitch morreu.

Já o li duas vezes, por inteiro, e, alguns excertos, mais vezes.

Nas próximas três mensagens publicarei os últimos três capítulos do livro, de uma beleza inesquecível.

(Por falar do final do livro, veio-me à memória outro final fabuloso - o de "Os Maias").

quinta-feira, 1 de abril de 2010

GISELLE

No dia 19 de Dezembro de 2009 assisti, no Teatro Camões, ao bailado "Giselle", apresentado pela Companhia Nacional de Bailado, com coreografia de Georges Garcia, a participação da Orquestra Sinfónica Portuguesa e a direcção musical de Geoffrey Styles.
O primeiro bailado a que assisti.
Gostei muito.
Bailado romântico (1841) , com música, belíssima, de Adolphe Adam.
Em dois actos.
O primeiro, em frente à casa de Giselle, numa aldeia junto ao Reno.
A jovem camponesa Giselle (Barbora Hruskova) e Loys (Filipe Portugal) apaixonam-se. Giselle desconhece que Loys é, na realidade, um homem de outra condição social: o Duque da Silésia, de nome Albrecht. No fim do primeiro acto, Hilarion (que ama Giselle) desmascara Loys perante Giselle e Bathilde, noiva de Albrecht. Giselle enlouquece e dança tragicamente, até morrer.
O segundo acto decorre no reino das wilis, na floresta.
As wilis são espíritos de mulheres que morreram por amor e que, durante a noite, se vingam dos seus amados, fazendo-os dançar até à morte. Myrtha, a rainha das wilis, juntamente com outras wilis, executam uma dança de recepção à recém falecida Giselle. Hilarion, arrependido junto ao túmulo de Giselle, não resiste ao feitiço das sedutoras wilis, que o arrastam para uma dança mortal. Surge Albrecht, que deposita um ramo de lírios brancos junto ao túmulo de Giselle. Esta, agora uma wili, levanta-se do túmulo e dança com Albrecht, que tenta resisitir à exaustão. Giselle (que teria motivos para condenar Albrecht) salva-o da perigosa atracção de Myrtha, até que o romper da aurora faz dissipar o feitiço das wilis e Giselle volta para o túmulo, lançando um último adeus ao seu amado, que sobrevive mas fica só.
Alguns dias depois, comprei um DVD com o bailado - do American Ballet Theatre, com a participação da Orchester der Deutschen Oper Berlin - e um CD com a música de Adolphe Adam, interpretada pela Slovak Radio Symphony Orchestra.
Pela primeira vez também, descobri que a música pode contar uma história.