domingo, 14 de novembro de 2010

LINGUAGEM CLARA

Três amigos encontraram-se, como habitualmente, na cibertaberna da aldeia: Manuel, viticultor; Joaquim, silvicultor; António, suinicultor.

Todos os dias, após o jantar, dedicavam-se à leitura, nos magalhães dos respectivos filhos, do Diário da República electrónico.

No dia 13 de Outubro ficaram particularmente agradados com o início da publicação de «resumos em linguagem clara» dos decretos-leis e dos decretos regulamentares, uma medida do SIMPLEGIS, por sua vez integrado no SIMPLEX.

Quando verificaram que o primeiro diploma com tal resumo era um decreto-lei do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, ficaram curiosos.

O «resumo em linguagem clara» é o seguinte:

«O que é?
Este decreto-lei desobriga os agricultores de pagar a taxa de audiovisual.
O que vai mudar?
A taxa de audiovisual serve para financiar o serviço público de rádio e televisão e é cobrada indirectamente na factura da electricidade.
Com este decreto-lei, os agricultores deixam de ter de pagar a taxa de audiovisual correspondente à energia que consomem na actividade agrícola. Para isso, os agricultores têm de ter contadores eléctricos que permitam medir em separado a energia que usam apenas para a agricultura.
Quando entra em vigor?
Este decreto-lei entra em vigor cinco dias após a sua publicação.»

Imediatamente se gerou a confusão: quem seria abrangido pela isenção?

Então, António sugeriu que lessem o próprio diploma.
Segundo o referido decreto-lei, a isenção reporta-se aos consumidores «cuja actividade se inclua numa das descritas nos grupos 011 a 015, da divisão 01, da secção A, da Classificação das Actividades Económicas - Revisão 3 (CAE - Rev. 3), aprovada pelo Decreto-Lei n.º 381/2007, de 14 de Novembro».
De seguida, ainda no Diário da República electrónico, pesquisaram o Decreto-Lei n.º 381/2007 e, após consulta da Classificação das Actividades Económicas publicada em anexo, concluíram que o viticultor (grupo 12) e o suinicultor (grupo 14) beneficiam daquela isenção e que o silvicultor (grupo 21) não.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

NO CAFÉ

A:
Só há duas maneiras de reduzir o défice orçamental (em percentagem do PIB): ou aumentar a receita ou diminuir a despesa.
B:
Há uma terceira.
A:
Sim: aumentar a receita e diminuir a despesa.
B:
Há uma quarta.
A:
Qual?
B:
Aumentar o PIB.

sábado, 16 de outubro de 2010

PENSAR E DIZER

Cada vez com maior frequência me questiono se as pessoas dizem o que pensam e/ou pensam no que dizem.
Como exemplo, a recente entrevista, ao Diário de Notícias, de Teresa Patrício Gouveia, Administradora da Fundação Calouste Gulbenkian (responsável pelos serviços de Música e Belas-Artes) desde 2004, a propósito da extinção do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian.

Transcrevo as primeiras duas perguntas e respostas, com negrito meu.

«Após o fim do Ballet Gulbenkian em 2006, é anunciado agora o fecho do serviço das Belas-Artes ao fim de cinco décadas de apoio. Qual é a razão?

Não é assim. O Ballet foi extinto enquanto as Belas-Artes não. É exactamente o processo oposto, porque o que há é uma reorientação da fundação para trabalharmos progressivamente por programas. A Gulbenkian tem vindo a organizar-se em torno de programas e não de serviços, correspondendo a objectivos mais definidos e a uma correcção de trajectória. É uma maneira moderna de gerir a actividade da instituição.

Não haverá uma contenção de despesa?

Não existe nenhuma contenção financeira da Fundação Calouste Gulbenkian. Como o director vai reformar-se, chegou o momento de racionalizar os recursos afectos à actividade substantiva em vez da burocrática. É fundamental canalizar os recursos disponíveis para fins institucionais e não para a organização.»

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

NO CAFÉ

A: Perante um problema, começas sempre por tentar matar o problema, em vez de o procurares resolver.

B: Eu não tento matar o problema. Pretendo verificar se ele existe: se nasceu e ainda não morreu.

A: Esse é outra das tuas idiossincrasias: quando não consegues matar os problemas, achas que o tempo os resolve.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

NORAH JONES

Há já alguns anos (Verão de 2003), uma agradável descoberta.




Come away with me

Come away with me in the night

Come away with me

And I will write you a song


Come away with me on a bus

Come away where they can't tempt us

With their lies


And I wanna walk with you

On a cloudy day

In fields where the yellow grass grows knee-high

So won't you try to come?


Come away with me and we'll kiss

On a mountain-top

Come away with me

And I'll never stop loving you


And I wanna wake up with the rain

Falling on a tin roof

While I'm safe there in your arms

So all I ask is for you

To come away with me in the night

Come away with me

domingo, 5 de setembro de 2010

TEMPO

as pessoas nas fotografias rejuvenescem com o tempo
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as pessoas rejuvenescem nas fotografias com o tempo
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

COMPORTAMENTO


Excerto da entrevista do neurologista Alexandre Castro Caldas à revista "tabu" do jornal "SOL" de 16 de Abril de 2010:

"O comportamento das pessoas muitas vezes resulta de um evoluir de acontecimentos que a certa altura já não se percebe por que existem ou qual a sua origem. Há uma história clássica. Três macacos são encerrados numa jaula, com um ferro vertical e umas bananas no topo. A primeira coisa que eles fazem é subir para as ir buscar. Quando eles tocam no ferro, levam todos com água gelada em cima, coisa de que não gostam. Fazem isto mais quatro ou cinco vezes, e às tantas desistem das bananas. Quando desistem, substitui-se um dos primatas por outro que não sabe nada da história. Ele entra e tenta subir. Os outros começam-lhe a bater, para que ele não suba. Vão-se trocando sistematicamente os primatas. A certa altura, a situação é que quando entra um novo lá dentro, os outros já lhe batem sem saber porquê. E o outro apanha e não percebe por que está a apanhar. O nosso comportamento tem muitas situações deste género e podemos tentar perceber o que o activou e usar essa matriz para transformar as pessoas."

Permito-me acrescentar: tão mau como (ou pior do que) nunca saber por que agimos seria só agir se e quando o soubéssemos.