quinta-feira, 17 de março de 2011

OUT OF AFRICA

Um dia voltarei a este filme de 1985, baseado no romance de Isak Dinesen, pseudónimo de Karen Blixen, realizado por Sydney Pollack, com Meryl Streep, Robert Redford e Klaus Maria Brandauer, a música inesquecível de John Barry, cinco óscares (melhor filme, realizador, argumento adaptado, direcção artística, fotografia, som e música original) e duas nomeações (melhor actriz principal e actor secundário).

Por hoje, uma das cenas cinematográficas que ficará, para sempre, na minha memória,




e uma homenagem ao recentemente falecido John Barry.




terça-feira, 1 de março de 2011

DÚVIDAS POLÍTICAS

Não foi a leitura das revistas que lemos nos consultórios e nos cabeleireiros a prender-me.
Foi a conversa entre dois pacientes pacientes, enquanto aguardavam a chegada pontualmente atrasada do médico.
A propósito da recorrente questão da redução do número de deputados da Assembleia da República, um dos interlocutores disse:
«A redução do número de deputados é negativa, porque contribui para eliminar os pequenos partidos e, se não existissem os comunas, a esquerda caviar e os populistas de direita, então é que o país seria completamente abocanhado pelo bloco central dos interesses.»
Pensei: quantos pensarão assim? E em quem votarão?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O QUE É?

Recentemente, numa entrevista televisiva, João Lobo Antunes contou um episódio que me pareceu, de alguma forma, paradigmático.
Numa aula de recepção a alunos do 1.º ano da Faculdade de Medicina, o Professor formulou a seguinte questão: quem é a favor da admissibilidade da eutanásia?
Alguns alunos levantaram o braço.
Seguidamente, perguntou: quem é contra?
Outros alunos o ergueram.
Por fim, a pergunta que deixou a sala em silêncio: quem sabe o que é a eutanásia?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

NO CAFÉ

No café, o menino pergunta à mãe: o que é a beleza?
A mãe responde: é o que sentes quando olhas para uma pintura e gostas (ou para uma paisagem ou uma menina); ou quando ouves uma música.
E o rapaz pergunta: e o que é a beleza se não existirem pessoas?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

GONÇALO M. TAVARES




















Gonçalo M. Tavares é um escritor português, com 40 anos.
Publicou o primeiro livro em 2001 e no último trimestre de 2010 publicou o 27º, o 28º e o 29º.
Já publicou em 7 editoras portuguesas.
Tem cerca de 160 traduções em 35 países.
Recebeu o Prémio LER/Millenium BCP em 2004, o Prémio José Saramago em 2005, o Prémio Portugal Telecom em 2007, o Prémio Internazionale Trieste em 2008 e o Prémio do Melhor Livro Estrangeiro 2010 em França.
Receberá um dia o Prémio Nobel da Literatura.
Um dos livros publicados em 2010 - «Uma Viagem à Índia», livro começado em 2003 - é, provavelmente, o mais ambicioso dos seus livros.
Trata-se de uma epopeia em prosa (com o mesmo número de cantos e de estâncias de «Os Lusíadas») que fala da viagem de Bloom, de Lisboa à Índia, no início do século XXI.
É um itinerário da melancolia contemporânea.
Transcrevo duas passagens de recentes entrevistas do autor ao «Jornal de Letras, Artes e Ideias» e à revista «LER».
«Se eu sair à rua com um martelo o mundo transforma-se em algo martelável. Só estou a pensar em coisas que podem ser marteladas. Se em vez disso sair com uma chave de parafusos, parecer-me-á que o mundo é aparafusável. Os instrumentos que usamos mudam a nossa percepção. Agrada-me ter uma caixa de ferramentas variada.»
JL, 20 de Outubro de 2010, entrevista de Luís Ricardo Duarte e Maria Leonor Nunes
«(...) Qualquer dia talvez escreva um texto sobre esta questão da narração e das ideias. Esta divisão entre histórias e ideias é uma divisão incorrecta.
Será como a divisão muito estrita entre o corpo e a mente?
Por exemplo, a tradição filosófica oriental ensina muito os conceitos por meio de histórias. A nossa tradição ocidental é muito mais a de explicar o conceito, uma coisa mais teórica, e depois a de utilizar o exemplo. É interessante que seja depois no exemplo que entra a história ou a micronarrativa. Há um autor extraordinário nisso: o Wittgenstein. Ele pensa muito mas pensa através de micro-histórias. A ideia de que a narrativa não pensa ou de que o pensamento não é narrativo é uma ideia em que não me revejo. Gostava de fazer um ensaio a este respeito porque isto é um tema que me parece importante. A boa narrativa pensa, é evidente, e o bom pensamento conta histórias. Pensar não é mais do que contar uma história que é a história de uma ideia. Uma das coisas que eu gostava de desenvolver é esta: porque é que a ideia de narrativa se associa à ideia de personagem? O pensamento é a história de uma ideia. Alguém que pensa está a ter uma ideia que desenvolve ao longo do tempo. Portanto, essa ideia é como se fosse uma personagem que se vai transformando. Tem até opositores. A personagem-ideia tem sempre um inimigo que é o contra-argumento. Pensar é uma narrativa.»
LER, Dezembro 2010, entrevista de Carlos Vaz Marques

sábado, 1 de janeiro de 2011

SEGREDOS

Ele tem um segredo.
Ela tem um segredo.

Ele pensa que conhece o segredo dela.
Ela pensa que conhece o segredo dele.

Ele sabe que ela pensa que conhece o segredo dele.
Ela sabe que ele pensa que conhece o segredo dela.

Ele sabe que ela sabe que ele pensa que conhece o segredo dela.
Ela sabe que ele sabe que ela pensa que conhece o segredo dele.

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domingo, 12 de dezembro de 2010

EGOÍSMO E ALTRUÍSMO

Eram (aparentemente?) parecidos:
um, egoísta, ajudava os outros pelo prazer que isso lhe proporcionava;
outro, altruísta, não ignorava que ninguém pode gostar dos outros se não gostar de si.