domingo, 23 de outubro de 2011

A VELOCIDADE DA LUZ

Num país situado num planeta a muitos anos-luz da Terra, o Governo, para atingir um determinado valor de défice orçamental, decidiu, em determinado ano, criar um imposto adicional temporáro sobre os trabalhadores públicos, no montante equivalente ao subsídio de Natal.

No ano seguinte, perante problema semelhante, o Governo optou por não pagar, nesse ano, o subsídio de Natal aos trabalhadores públicos.


Os fazedores de opinião, no primeiro ano, criticaram o Governo por ter criado um imposto que seria inconstitucional (carecendo de generalidade) e por ter diminuído o défice por via do aumento da receita e não através da redução da despesa; no segundo ano, congratularam-se pelo facto de a diminuição do défice ter sido operada pela redução da despesa e não pelo aumento da carga fiscal.

sábado, 1 de outubro de 2011

ALICE

Mais uma vez a música (de Bernardo Sassetti) de um filme (Alice).

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

JHERONIMUS BOSH (1453? - 1516)


As Tentações de Santo Antão
Até 25 de Setembro é possível ver no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), com visitas guiadas em determinados dias, a exposição «Confrontos. Bosh e o seu Círculo», composta por três trípticos: «Tríptico das Tentações de Santo Antão», «Tríptico do Juízo Final» e «Tríptico das Tribulações de Job».

O primeiro pertence ao próprio Museu. Os restantes ao Museu Groninge de Bruges.
Paralelamente, aproveite-se para visitar todo o Museu e as suas magníficas obras, nomeadamente os «Painéis de São Vicente», atribuído a Nuno Gonçalves, e a «Custódia de Belém», de Gil Vicente.
O «Tríptico das Tentações de Santo Antão» (c. 1500) é da autoria de Bosh. O «Tríptico do Juízo Final» (1ª metade do século XVI) é atribuído a um seu discípulo com acesso amodelos de oficina. O «Tríptico das Tribulações de Job» (2ª metade do século XVI) é de um continuador ou imitador de Bosh.
Em todos eles é visível o carácter visionário, o seu universo figurativo (o monstruoso, o grotesco, o demoníaco, as tentações, o pecado, a loucura humana), a pintura aparentemente «surrealista» e verdadeiramente religiosa e moralizante.
Apenas conhecia o «Tríptico das Tentações de Santo Antão», que sempre me fascinou, desde o já longínquo ano de 1980.
Com efeito, vi-o, pela primeira vez, no meu livro de Filosofia do 10.º ano: salvo erro, na própria capa.
Mais tarde, vi-o, no MNAA, em 1983, no âmbito da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura.
E, quando o vejo, sinto-me sempre numa zona de penumbra e de indefinição, entre o sonho e a realidade, entre a emoção e a razão, entre a Idade Média e os novos tempos, e maravilho-me perante a forma como foi possível, há 500 anos, retratar, desta forma, a alma humana.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

TRAMAGAL

O meu «Paris, Texas».



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ANTÓNIO MENEZES CORDEIRO

António Menezes Cordeiro é Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Tive o privilégio de o ter como professor e de ler parte da sua obra.
É o melhor jurista que conheci até hoje: «tal é, salvo melhor opinião, o meu parecer» (como diria Menezes Cordeiro).
«Reencontrei-o» na internet, num vídeo com um excerto da sua intervenção na conferência do Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, realizada no dia 4 de Novembro de 2009, subordinada ao tema «Crise e Direito».




Por fim, vieram-me à memória as palavras proferidas por Menezes Cordeiro no final da minha última aula na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que foram mais ou menos estas:
«Na vossa actividade de jurista, se se virem confrontados, perante um determinado problema, com duas soluções - uma (aparentemente com suporte legal) injusta e outra justa (aparentemente sem base legal) - optem pela justa, porque o Direito certamente consagra(rá) essa solução.»

quinta-feira, 28 de julho de 2011

CAUSALIDADES

«Preciso de comer porque tenho fome» ou «tenho fome porque preciso de comer»?
Parece que há duas «causalidades»: a «causalidade» que nos leva a agir (a primeira) e a «causalidade» que explica (a última).
Só o Homem pode ter consciência desta diferenciação e apenas no Homem pode haver conflito entre aquelas «causalidades».

segunda-feira, 18 de julho de 2011

MÁRIO CLÁUDIO - TIAGO VEIGA

Mário Cláudio acaba de publicar «Tiago Veiga - Uma Biografia», aparentemente na linha de anteriores biografias romanceadas: «Amadeo» (Amadeo de Souza-Cardoso), «Guilhermina» (Guilhermina ) e «Rosa» (Rosa Ramalho).
Tiago Veiga (1900-1988) é um poeta modernista, bisneto de Camilo Castelo Branco, nascido no Brasil, casado com uma francesa e, depois, com uma irlandesa, e falecido (por suicídio) no Alto Minho, onde se refugiou no fim da vida.
Foi um cosmopolita e um viajante compulsivo.
Viveu em Itália, Paris, Londres, Galiza, Porto, Lisboa, Marrocos, Guiné-Bissau, Nova Iorque.
O poeta optou pelo anonimato em vida, não publicou nenhuma obra, mas relacionou-se com grandes nomes da política e das literaturas portuguesa e europeia, incluindo com Mário Cláudio, o qual admite ter sido por ele influenciado em termos literários.
A primeira pessoa que falou de Tiago Veiga a Mário Cláudio foi Mário Sottomayor Cardia, quando eram ambos estudantes de Direito em Lisboa.
Conheceu-o pouco tempo depois, mas as relações só se intensificaram muitos anos mais tarde, quando Tiago Veiga o começou a ver como seu futuro biógrafo.
Foi Tiago Veiga quem, segundo Mário Cláudio, lhe impôs a escrita da sua biografia.
Nesta constam fotografias de alguns ascendentes de Tiago Veiga, da «Casa dos Anjos», do poeta em várias fases da vida, das esposas francesa e irlandesa, da filha e do filho, de Tiago com Mário Cláudio em 1984, bem como de pinturas do poeta.
A capa do livro de Mário Cláudio é composta a partir do quadro «Os Cavalos de Danaan», da mulher irlandesa de Tiago Veiga, Ellen Rassmunsen.
O biografado deixou também uma «arca», tendo Mário Cláudio procedido já à publicação póstuma de três das suas obras: «Os Sonetos Italianos de Tiago Veiga» (2003), «Gondelim» (2008) e «Do Espelho de Vénus» (2010).
De resto, no próprio «Tiago Veiga - Uma Biografia» são divulgados muitos inéditos do escritor.
O poeta, embora nunca tenha publicado, criou um pseudónimo: Rodrigo de Matos.
Porém, se exceptuarmos as referências e a actuação de Mário Cláudio, ninguém conhece Tiago Veiga.
Os críticos literários consideram tratar-se de um «heterónimo» não assumido de (e por) Mário Cláudio ou de uma «nova teoria da heteronímia» (Miguel Real).
A primeira referência pública a Tiago Veiga foi em 1988, num artigo de Mário Cláudio, no ex-semanário «Tempo», em que era anunciada a sua morte.
A literatura é («nem só mas também») um jogo. Não é, Augusto?