quarta-feira, 30 de agosto de 2017

AUGUSTO ABELAIRA, TRADUTOR


Augusto Abelaira, além de escritor e jornalista, foi, também, professor e tradutor.

Em 2014 (ou 2015), passeando na Avenida Dom Carlos I, entrei na livraria da Sociedade Guilherme Cossoul e encontrei "O Doutor Jivago", de Boris Pasternak, com tradução de Augusto Abelaira, prefácio de Aquilino Ribeiro e tradução das poesias de David Mourão-Ferreira!!!



segunda-feira, 7 de agosto de 2017

OBRAS DE AUGUSTO ABELAIRA


Desde SEM TECTO ENTRE RUÍNAS, que adquiri em 1979, comprei todas as primeiras edições dos subsequentes livros de Augusto Abelaira (com excepção de ANFITRIÃO OUTRA VEZ, de 1980).

Simultaneamente, fui comprando livros anteriores, em edições antigas ou que foram sendo reeditados. 

Em 2014 tentei e atingi o objectivo de ter as primeiras edições de todas as obras de Augusto Abelaira, de 1959 a 2004 (com a ajuda de alguns alfarrabistas, entre os quais o Adelino Correia Pires).



















segunda-feira, 17 de julho de 2017

NO CAFÉ


A: Por que razão, muitas vezes, a propósito de um livro ou de um filme, se ouve, em tom elogioso, que se baseia em factos reais?

B: Será porque desejamos ficções realistas ou porque ambicionamos ficção nas nossas vidas?

domingo, 9 de julho de 2017

HOMENAGEM A CARLOS DE OLIVEIRA


Na sequência da mensagem anterior, recordei-me de uma edição da revista Vértice, dedicada a Carlos de Oliveira, em 1982, ano do 40.º aniversário da revista e da publicação do primeiro livro do autor.

Comprei a revista em fevereiro de 1983, na livraria Académica, em Abrantes.




A revista, publicada no ano seguinte ao da morte do autor, continha evocações e testemunhos (entre outros, de Fernando Namora, Cardoso Pires e Urbano Tavares Rodrigues), estudos e ensaios (entre outros, de Alexandre Pinheiro Torres, José Manuel Mendes, Teresa Coelho Lopes e Vital Moreira), inéditos do autor e uma biobibliografia.

Tinha também uma homenagem poética com poemas de diversos poetas, de onde destaco os escritos por Mário Dionísio e José Gomes Ferreira:


POEMA DE MÁRIO DIONÍSIO

                                                                              (1 de Julho de 1981: morte do Carlos de Oliveira)
                      
                         É hoje o primeiro dia
                         em que há mundo sem ti

                         Esforço-me por entender o sem sentido disto

                        Mas não se pensa o que se chora
                        Espanto-me sim de esta cidade para mim vazia
                        ser para os outros como sempre a vi 

                        Que pode haver agora?
                        Que enganosa miragem?
                        Tu não foste fazer uma viagem
                        Tua ausência não é um intervalo

                        Vai-se indo pouco a pouco o porque existo
                        E nunca mais também sem ti
                        saberei sequer reinventá-lo (*)

                                                                                    MÁRIO DIONÍSIO

(*) Incluído no livro Terceira Idade (poema LXXIII)


POEMA DE JOSÉ GOMES FERREIRA

LÁPIDE
para Carlos de Oliveira


                          Havia na tua Voz a suspeita
                          de um sonho que se deita
                          no sono da realidade
                          - para tornar a verdade
                          mais inverídica perfeita.

                           Não foste como os outros, Poeta,
                           um simples buscador de beleza,
                           mas alguém que o sol completa
                           com o rigor da sombra acesa.

                           Julho 1981

                                                                            JOSÉ GOMES FERREIRA 

sexta-feira, 30 de junho de 2017

CARLOS DE OLIVEIRA: A PARTE SUBMERSA DO ICEBERG


Decorre desde 18 de março até 29 de outubro, no Museu do Neo-realismo, em Vila Franca de Xira, uma exposição intitulada "CARLOS DE OLIVEIRA: a parte submersa do iceberg", cujo curador é o Prof. Doutor Osvaldo Manuel Silvestre.

Nessa exposição se demonstra que a parte visível do iceberg (a sua obra) tem uma parte submersa extraordinariamente importante e que é revelada por vasta documentação saída do espólio doado por Ângela Oliveira (sua mulher, falecida em 2016) ao Museu do Neo-realismo.

Escreve Osvaldo Manuel Silvestre, em texto publicado na revista Colóquio Letras adiante citada, a propósito do processo criativo de Carlos de Oliveira, que "o espólio revela que o processo, quando completo, percorre as seguintes fases: (i) produção de manuscrito; (ii) versão dactiloscrita do manuscrito (em rigor, versões); (iii) correção sobre o dactiloscrito; (iv) produção de provas tipográficas e correções escritas sobre elas; (v) produção do livro e reescrita sobre o texto do livro impresso." As versões dactiloscritas eram normalmente da responsabilidade de Ângela de Oliveira.

Este projecto expositivo tem associado um programa complementar com iniciativas que decorrem no Museu do Neo-Realismo, na Casa da Escrita em Coimbra, na Casa Fernando Pessoa em Lisboa e na Biblioteca Municipal de Cantanhede.

Por outro lado, foram publicados o catálogo da exposição (com alguns estudos e documentação do espólio) e um livro dedicado a Ângela de Oliveira (sugestivamente com o título de um dos poemas de Carlos de Oliveira e com textos, entre outros, de Gastão Cruz, José Carlos de Vasconcelos, José Fernandes Fafe, José Manuel Mendes, Manuel Gusmão, Margarida Gil, Nuno Júdice e Osvaldo Manuel Silvestre). 








Também a revista Colóquio Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian, dedicou o número 195 a Carlos de Oliveira.

De seguida, algumas fotografias da exposição:



Manuscrito de Finisterra.



Finisterra: o original enviado para a tipografia, as emendas para a 2ª edição (a vermelho), as emendas para a 3ª edição (a verde) e as emendas para a 4ª edição (a castanho).



Uma Abelha na Chuva: reescrita sobre o texto do livro impresso.



Retrato de Carlos de Oliveira, por Nikias Skapinakis



Retrato de Ângela, por Gilbey




quinta-feira, 15 de junho de 2017

THE BEST ANSWER


Sometimes the best answer it's to say that sometimes the best answer it's to be quiet.



quinta-feira, 18 de maio de 2017

OS JORNAIS


Os jornais foram importantíssimos para mim.
No verão de 1979, comecei a ler os jornais que o meu irmão, Octávio Félix de Oliveira, já estudante universitário, ia acumulando durante o ano.
Foi então que conheci os semanários O Jornal e o EXPRESSO.
Pouco mais tarde, a partir de 1981, acompanhei, desde o nascimento, o JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias.
Estes três jornais alicerçaram muita da minha formação política, económica e cultural.


                                                                        Nº 1 d' O JORNAL, em 2 de maio de 1975

 O Jornal recordo, por exemplo, a publicação em duas edições consecutivas, nas páginas centrais, da última entrevista de Sartre.
O Jornal  foi um projecto inovador: era um jornal propriedade dos próprios jornalistas.
Lembro-me de nomes como José Carlos de Vasconcelos, Fernando Assis Pacheco, Cáceres Monteiro, Afonso Praça, Manuel Beça Múrias, Carneiro Jacinto, Francisco Vale (hoje editor da Relógio d´Água), das análises económicas de Daniel Amaral e das crónicas semanais de Augusto Abelaira, intituladas Escrever na Água.
O projecto d´ O Jornal (Publicações Projornal) foi-se expandindo com a criação do jornal Sete, da revista HISTÓRIA, do JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, d´O Jornal da Educação, do jornal humorístico Bisnau e da editora O Jornal, que viria a editar escritores como Augusto Abelaira e José Cardoso Pires (se bem me lembro, o primeiro livro editado foi, em 1982, Balada da Praia dos Cães, de Cardoso Pires, que viria a vencer o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, no ano em que foi publicado o Memorial do Convento).
O Jornal deixou de se publicar, salvo erro, no final de 1992, e o único título que se manteve até hoje, ininterruptamente, foi o JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias.


                                                                    Nº 1 do EXPRESSO,  em 6 de janeiro de 1973

Do EXPRESSO recordo a análise política da página 2 de Marcelo Rebelo de Sousa e a criação da Revista que, na década de 80, atingiu um nível sueperlativo. Na Revista de então era possível, semanalmente, ler as críticas de cinema de João Lopes, Vicente Jorge Silva, Eduardo Prado Coelho e Augusto M. Seabra!!! Lembro-me também de na mesma Revista ler grandes entrevistas, entre outros, a Karl Popper (por João Carlos Espada) e a Jurgen Habermas (por Clara Ferreira Alves).


                                                                              Nº 1 do JL, em 3 de março de 1981

JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias foi desde o início (e até hoje) dirigido por José Carlos de Vasconcelos. Nos primeiros anos teve um conselho editorial composto por Auguto Abelaira, Eduardo Prado Coelho e Fernando Assis Pacheco. Pouco mais tarde teve como chefe de redacção António Mega Ferreira. E teve como jornalistas Clara Ferreira Alves e (em início de carreira) Ricardo Araújo Pereira. Recordo as crónicas de Augusto Abelaira (Ao pé das letras), Agustina Bessa-Luís e José Sesinando (Escrituralismo), bem como as magníficas ilustrações de João Abel Manta. O JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias é um caso único de longevidade no mundo de língua portuguesa, no âmbito do jornalismo cultural.