segunda-feira, 3 de julho de 2023

AO PÉ DOS LIVROS - "NÃO DEIXES QUE UMA BOA IDEIA TE ESTRAGUE O DIA"

 

O tamanho conta mas não é tudo.

Tem de ser relativamente curto, mas, sendo uma condição necessária, não é suficiente.

Tem de 

     ser mais do que aparenta,

     ser inteligente,

     ter, muitas vezes, humor.


Falo do aforismo.


"Não deixes que uma boa notícia de estrague o dia", de Ramón Eder, é um excelente livro de aforismos.

Se não me enganei, são 264 aforismos.

Para aguçar o apetite, deixo-vos três (além do título do livro):


                "Somos imortais todos os dias da nossa vida, excepto um."

                "O que não nos ocorreu é uma parte fundamental daquilo que nos ocorreu."

                "A vida é uma ficção baseada em factos reais."



quarta-feira, 7 de junho de 2023

QUESTÃO PENTAGONAL

 


No passado dia 3, na Feira do livro de Lisboa, foi lançada a nova chancela do Grupo Narrativa.

A nova chancela, Questão Pentagonal, tem a curadoria editorial do escritor Afonso Cruz e os primeiros dois livros (também traduzidos por Afonso Cruz) são:






quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

AINDA A TAP

E que tal os representantes do povo português exigirem aos advogados (que assessoraram os intervenientes no "acordo de cessação de funções de administração") que venham publicamente fundamentar juridicamente a legalidade do mesmo?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

TAP - algumas observações e questões jurídicas



I

ENQUADRAMENTO

 

A leitura da resposta do Senhor Presidente do Conselho de Administração e da Senhora Presidente da Comissão Executiva da TAP aos Senhores Ministro das Finanças e Ministro das Infraestruturas e Habitação, suscitou-me as seguintes observações e questões jurídicas:

Como é dito no referido documento, sendo a TAP uma pessoa coletiva com capital exclusivamente público, está sujeita ao Regime do Setor Público Empresarial (Decreto-Lei n.º 133/2013, de 3 de outubro) e, consequentemente, os membros designados para os respetivos órgãos de gestão estão sujeitos ao Estatuto do Gestor Público (Decreto-Lei n.º 71/2007, de 27 de março).

O Decreto-Lei n.º 39-B/2020, de 16 de julho, através do n.º 3 do artigo 2.º, veio excecionar a aplicação de algumas normas dos diplomas acima referidos à TAP - porém, essas normas não estão em causa na presente análise.

 

II

DA INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE GESTÃO

 

O n.º 1 do artigo 18.º do Estatuto do Gestor Público dispõe que “nas empresas públicas é obrigatória a celebração de um contrato de gestão”, do qual deve constar o conteúdo definido no n.º 2 da referida disposição legal, nomeadamente “os parâmetros de eficiência da gestão” e “outros objetivos específicos”.

O n.º 2 da mesma disposição acrescenta que “o contrato de gestão é celebrado no prazo de três meses contado a partir da data da designação do gestor público entre este, os titulares da função acionista e o membro do Governo responsável pelo respetivo sector de atividade, sendo nulo o respetivo ato de nomeação quando ultrapassado aquele prazo”.

Na resposta da TAP aos Senhores Ministros é dito que a Senhora Eng.ª Alexandra Reis, “enquanto administradora da TAP, não celebrou qualquer contrato escrito de gestão, nos termos do Estatuto do Gestor Público”.

 

Por que não foi celebrado contrato de gestão, como é exigido pelo n.º 1 do artigo 18.º do Estatuto do Gestor Público?

Quais as consequências jurídicas de não ter sido celebrado contrato de gestão?

 

III

DA CESSAÇÃO DE FUNÇÕES E DA INDEMNIZAÇÃO POR CESSAÇÃO DE FUNÇÕES

 

O Estatuto do Gestor Público dedica o seu capítulo V à responsabilidade (artigo 23.º) e à cessação de funções dos gestores (artigos 24.º, 25.º, 26.º e 27.º).

Da leitura deste capítulo decorre que os gestores podem cessar funções por:

  • Dissolução com justa causa do conselho de administração, por iniciativa do órgão de eleição ou nomeação (artigo 24.º), não havendo lugar a qualquer subvenção ou compensação pela cessação de funções;
  • Demissão individual com justa causa, por iniciativa do órgão de eleição ou nomeação (artigo 25.º), não havendo lugar a qualquer subvenção ou compensação pela cessação de funções;
  • Renúncia por parte do gestor (artigo 27.º);
  • Dissolução do conselho de administração ou demissão individual por mera conveniência, por iniciativa do órgão de eleição ou nomeação, independentemente de qualquer fundamento (artigo 26.º) – neste caso, o gestor, desde que conte, pelo menos, 12 meses seguidos de exercício de funções, tem direito a uma indemnização correspondente ao vencimento de base que auferiria até ao final do respetivo mandato, com o limite de 12 meses (n.º 3 do artigo 26.º). Porém, nos casos de aceitação, no prazo a que se refere o número anterior, de função ou cargo no âmbito do sector público administrativo ou empresarial, a indemnização eventualmente devida é reduzida ao montante da diferença entre o vencimento como gestor e o novo vencimento, devendo ser devolvida a parte da indemnização que eventualmente haja sido paga (n.º 4 do artigo 26.º).  

Na resposta da TAP aos Senhores Ministros é dito que:

Na minha opinião jurídica, não é legal fazer cessar as funções por acordo de revogação, porque não é uma das formas de cessação previstas no Estatuto do Gestor Público.

Na resposta da TAP justifica-se a legalidade da solução com a seguinte argumentação:

  • “O Estatuto do Gestor Público não contempla expressamente o acordo como possível forma de cessação de funções de administração, mas também a não veda;
  • O artigo 40.º do Estatuto do Gestor Público estabelece uma remissão legal para o Código das Sociedades Comerciais, prevendo que, em tudo o que não se encontrar especificamente previsto no Estatuto do Gestor Público, aplicar-se-á este diploma legal;
  • Ora, o Código das Sociedades Comerciais consente o acordo de revogação pelas partes das funções de administração”.

Não concordo com esta argumentação.

O artigo 40.º do Estatuto do Gestor Público prescreve que “em tudo quanto não esteja disposto no presente decreto-lei, aplica-se o Código das Sociedades Comerciais”.

Mas o Estatuto do Gestor Público regulou as formas de cessação das funções de gestor, dedicando-lhe até um capítulo autónomo.

Ou seja, só faria sentido aplicar o Código das Sociedade Comerciais, à luz do artigo 40.º supra referido, se o Estatuto do Gestor Público não regulasse a matéria da cessação.

Deste modo, apenas são admissíveis as formas de cessação previstas 24.º a 27.º do Estatuto do Gestor Público e apenas no caso previsto no artigo 26.º (e nas condições nele previstas) existe direito a uma indemnização.

Por essa razão o n.º 4 do artigo 18.º do Estatuto do Gestor Público dispõe que “os contratos de gestão não podem estabelecer regimes específicos de indemnização ou qualquer outro tipo de compensação por cessação de funções, nem contrariar o que se encontra fixado no artigo 26.º”.

Depõe ainda neste sentido o facto de estarmos na esfera do Direito público, onde vigora o princípio da competência (só pode fazer-se o que é permitido), e não no âmbito do Direito privado, onde vigora o princípio da liberdade (pode fazer-se tudo o que não é proibido). 

Pelo que, não se integrando a cessação de funções da Senhora Eng.ª Alexandra Reis nas formas de cessação previstas no capítulo V do Estatuto do Gestor Público, o acordo de revogação é ilegal e não há direito a indemnização (que só existiria na forma de cessação e nas condições previstas no artigo 26.º).

 

Porém, sem prejuízo da opinião expendida, pergunto: 

  • Por que razão o acordo de revogação, considerado legal pelas partes: 
    • foi submetido “a um compromisso recíproco de confidencialidade”?
    • não foi assumido externamente, sendo substituído por carta de renúncia e ocultando a existência de indemnização?
  • O acordo de revogação foi celebrado entre quem (além da administradora)?
  • Não tendo sido a cessação de funções da iniciativa da administradora, é possível, em termos legais, o processo de cessação de funções da administradora não passar pela assembleia geral?

sábado, 10 de dezembro de 2022

PARABÉNS


Parabéns à seleção portuguesa de futebol pela terceira melhor classificação em 22 edições da prova.




quinta-feira, 24 de novembro de 2022

RONALDO

Hoje quando Ronaldo foi substituído aos 88 minutos de jogo, receei que Portugal ficasse a jogar com 10 jogadores.

É que recordei-me da recente entrevista de Ronaldo a Piers Morgan: “Não permito que um treinador me coloque apenas três minutos para jogar”.


quarta-feira, 12 de outubro de 2022

ESCLARECIMENTO

Não sei porquê, talvez por curiosidade, quis saber o que os outros pensavam de mim. Publiquei um anúncio público no Facebook, onde consta uma grande parte das pessoas com quem contactei durante a vida, solicitando a respetiva opinião apenas no caso de ser negativa e através de mensagem privada.

Após o prazo de 6 meses concedido, publiquei o número de opiniões negativas no face (em mensagem pública), tendo acrescentado que considerava que o número de opiniões negativas não era particularmente elevado face aos meus 58 anos e ao grande número de pessoas com quem contactei.

Depois desta publicação, recebi muitas mensagens de indignação da parte de quem não concordou com a minha afirmação, por considerarem que eu estava a desvalorizar a minha maldade.

Vi-me forçado a publicar mensagem de esclarecimento, clarificando que o que eu disse foi que o número de opiniões negativas não era particularmente elevado face ao número de pessoas que, certamente, têm sobre mim uma opinião negativa.